Para SP, com amor

Estrangeiros que vieram morar na capital paulista por amor, contam as surpresas e dificuldades

Para JCC 3Foto: Fernanda Antônia

De acordo com dados levantados em junho de 2015 pelo Observatório de Turismo e Eventos da Cidade de São Paulo, as maiores comunidades estrangeiras que São Paulo abriga são portuguesas (100.855 cidadãos), bolivianas (53.235), japonesas (47.317), italianas (33.388) e espanholas (26.496).

As histórias de Shane Kelly, Yoli Gómez e Valéria Pellegrino têm esse destino em comum: São Paulo. Os três se apaixonaram por brasileiros e vivenciaram uma experiência paulista.

Valéria del Pellegrino, 47 anos, é italiana. Conheceu seu marido paulista na Espanha, e os dois vieram para São Paulo. No Brasil, manteve sua profissão como professora de língua italiana. “Viver em São Paulo é uma bela experiência”, afirma.

Shane Kelly, 26 anos, é estadunidense. Conheceu em 2015, Francinny Alves enquanto ela morava em Tarrytown, Nova York. Vieram para Brasil em 2016 e se casaram. Kelly achou que as oportunidades para os dois eram melhores aqui do que em seu país de origem. “Ser professor nos EUA não funciona muito bem e existem mais oportunidades de ensinar inglês no Brasil”, aponta ele.

Yoli Gómez, 26 anos, é espanhola. Conheceu o namorado Leonardo Guedes na Irlanda durante um intercâmbio. Morou em São Paulo por três anos e decidiu retornar para Espanha em 2015. Assim como Kelly e Pellegrino, também era professora, mas comenta que para ela exercer a profissão aqui e na Espanha é igual.

A mobilidade urbana desafiou as duas estrangeiras. Quando chegou em São Paulo, a italiana morou no bairro Itaim, onde acesso ao transporte público é difícil. “Sem falar português, era mais difícil eu me comunicar com o motorista e cobrador do ônibus”, diz. Gómez não conseguiu se acostumar com os meios de locomoção, pelo fato de São Paulo ser muito grande.

O estadunidense afirma admirar a saúde pública. Ele gosta da proposta do Sistema Unificado de Saúde (SUS), único sistema público, universal e gratuito do mundo. No entanto, a eficiência do mesmo não é boa como o norte-americano atesta. Uma pesquisa do Datafolha feita em agosto de 2015 revela que 54% dos brasileiros classificam o SUS como ruim ou péssimo.

Gómez diz que achava a cidade pouco segura, falta “conseguir andar pela rua às 11 da noite sem precisar se preocupar se algo de ruim pode acontecer”. Uma pesquisa do Ibope, divulgada em 2016 pelo jornal O Estado de São Paulo, mostra que a falta de segurança pública preocupa muito 40% dos paulistanos também.

Pellegrino contar ter saudade da beleza histórica. O centro de São Paulo contempla diversos prédios antigos, como o Teatro Municipal de São Paulo, cuja construção é de 1911, mas o desprezo com o qual o centro é tratado pelo governo e pelos habitantes impede a apreciação das belezas arquitetônicas. A italiana reforça que falta “senso cívico, educação e respeito em relação aos lugares públicos”.

O americano e a italiana admiram o povo brasileiro. “O povo é gentil, com bastante paciência, o que em Nova York não tem”, diz Kelly. Além disso, o clima tropical, a fauna e a flora brasileira e a dimensão do país encantou os três gringos. “Tudo é grande, as árvores, as praias e as florestas. O Brasil é um país grandioso”, Pellegrino expressa.

Apesar do amor por São Paulo e por aqueles que os trouxeram até aqui, cada um guarda um pensamento sobre o futuro no Brasil. Gómez retornou a Espanha, a fim de estudar e trabalhar no seu país de origem. Ela diz “Eu quero construir uma família aqui e acho bem mais fácil do que fazer isso no Brasil”.

Kelly diz que voltar Estados Unidos é uma possibilidade apenas depois que Francinny se formar. “Eu quero que meus filhos tenham uma vida americana e brasileira, e sonho ter casa nos dois países”. Já Pellegrino admite querer voltar para a Itália somente quando não puder mais trabalhar, “quero envelhecer e morrer no país em que nasci”.

Matéria originalmente produzida para a disciplina de Jornalismo, Cidade e Cotidiano da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Texto de: Fernanda Antônia e Victória Theonila.

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